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sexta-feira, 15 de julho de 2016

TOTOCO


Totoco. Esse era o nome do pato.
Ele era órfão e minha mãe levou para casa, quando morávamos em Sertão. Eu tinha 12 anos nessa foto.
O Totoco era como um cachorro. Aguardava nossa chegada da aula, fazia festa, seguia a gente por tudo, especialmente o meu irmão.
Lembro que íamos na horta achar minhoca e ele ficava na volta esperando. 
Na época a moda era mulher usar umas gravatas, e volta e meia o bichinho entrava gravata adentro e a única maneira de tirar era cortar ou esperar a boa vontade dele.
Foi um período tão feliz que eu chego a lembrar de detalhes, de aromas, de sabores, de situações mínimas. Saudades boas!


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Rato de Biblioteca


Esta foto foi tirada na escola estadual Bandeirantes de Sertão-RS, quando eu estava na sexta-série com 11 anos.
Eu adorava essa biblioteca que era uma das poucas opções para gente da minha idade ter o que fazer.
Lembro que a bibliotecária estava fazendo o registro dos livros com uma nova metodologia e eu me propus a ajudá-la. Trabalho encerrado, eu comecei a "registrar" os livros de casa. Minha mãe assinava nessa época o Círculo do Livro e sempre tinha livros novos chegando. 
Essa memória é uma das mais vivas da minha pré-adolescência.
=)

terça-feira, 14 de junho de 2016

Moleques

Eu nunca fui uma menina recatada, de vestidinho e lacinho. Sempre fui moleque desde que me conheço por gente. Nessa época eu tinha 12 anos, morava na última das três casas em que vivemos em Sertão, perto de Passo Fundo, interior do RS. 
Como meu pai trabalhava no Banco do estado, era transferido de três em três anos, portanto vivi em diferentes cidades do interior.
Lembro desta casa, que era a maior das três em que moramos nessa cidade, e na vizinhança só havia meninos amigos do meu irmão. Brincávamos muito. Havia trilhos de trem perto de casa, onde íamos fazer piqueniques explorando as colônias ao redor comendo muita bergamota no inverno e butíá no verão. 
Do lado de baixo dessa casa tinha um posto de gasolina e um bar. Ali eu comprava fiado alguns picolés até o dia que meu pai foi cobrado em público e nem preciso dizer que tomei um esporro daqueles em casa. Bem feito!
Nessa mesma época, dada a falta de atividades para a gurizada, comecei a ler os livros da minha mãe. Devorei vários suspenses da Agatha Christie e foi nessa época que tomei gosto pela leitura. Mesmo assim ainda preenchia o meu tempo com curso de violão, escolinha de vôlei e os estudos num fraquíssimo colégio estadual, sobrando um bom tempo para a folia e a leitura.
De noite eu escutava um radinho à pilha do meu pai, sintonizando dials AM de São Paulo e Rio. Achava o máximo da conectividade com o mundo. Que diferença de hoje!
São várias lembranças e até hoje tem aromas e gostos que me remetem àquelas épocas. Saudades e muito boas recordações.