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domingo, 12 de julho de 2020

Plentzia e Madrid: o final antecipado da viagem dos sonhos

No dia 13 de março chegamos em Plentzia, cidade litorânea que fica distante 25 quilômetros de Bilbao. A ideia era ficarmos em Plentzia e durante o dia ir a Bilbao de trem urbano passear, retornando no final do dia.
Mas como venho dizendo ao longo dos posts das cidades em que passamos, a situação foi ficando cada vez mais complicada e o vírus se espalhou vertiginosamente depois da marcha das mulheres no dia 8 de março (marcha liberada em várias cidades espanholas, tendo sido a causa principal da explosão de doentes de COVID em todo o território).
Nosso hotel era bem bacana, com saída independente. Tínhamos cozinha, sala, quarto e banheiro. Deixamos o carro num estacionamento livre a poucos metros, deixamos nossas malas e saímos para conhecer. Conseguimos a reserva pelo Booking e foi bem tranquilo. O lugar é realmente encantador.
Plentzia tem cerca de 4000 habitantes e foi fundada em meados de 1230. Sobreviveu ao longo dos tempos, muito por conta da pesca e também, da já abolida pesca de baleias. 
A cidade tem um centro antigo pequeno, casas remanescentes do século XVI, o rio que desemboca no mar e forma um atracadouro gigante de barcos de todos os tamanhos, uma marina bonita, diversos restaurantes e bares (todos fechados por conta da pandemia) e uma orla magnifica, especialmente no final da tarde.
Tem todos os requisitos para ser um local de descanso, lazer e contemplação. Pena que estivemos lá numa época tão complicada.
A Rafaela viajou nesse dia da Sicilia para Roma, de Roma para Frankfurt e seu vôo partia à noite para o Brasil. Fomos dormir e na madrugada uma mensagem de que o vôo tinha voltado a Frankfurt pois uma pessoa passou muito mal. Fiquei muito triste.
Dia 14 de março de 2020 - acordamos, tomamos nosso café e saímos para caminhar. Fomos ao supermercado e compramos mantimentos. 
Decidimos nesse dia antecipar o retorno ao Brasil. O que descobrimos em seguida que não seria tarefa fácil. Consegui trocar o vôo TAP que tínhamos para Portugal uma semana depois para segunda feira, de Madrid a Lisboa. A ideia era sair da Espanha o quanto antes pois o governo estava pensando em fechar as fronteiras. Decididos, pedimos mais uma diária e resolvemos partir na segunda e não no domingo como era planejado. Também desfiz as reservas de Santander e Gijon. O Paulo desfez a reserva de Airbnb de Madrid. Algumas coisas nos foram ressarcidas e outras não. 
Enfim, ônus de se viajar numa época incerta em que tudo que conhecíamos, nunca mais seria como antes.
Passamos o dia dando uma pequena caminhada, vendo as notícias na TV e me informando da situação da Rafaela. 
Dia 15 de março - neste dia o governo instituiu lockdown em toda Espanha. Só poderia sair uma pessoa, para ir ao supermercado ou farmácia. Todo resto esrava proibido.
Como tinha sol, descemos com o chimarrão para tomar num banco ao sol. Logo veio um policial e pediu gentilmente para irmos para casa, o que fizemos sem problemas.
Durante a tarde acompanhamos a maré da janela: ela enchia o canal e esvaziava
 algumas horas depois. Quando ela estava cheia, podíamos ver vários cardumes na água límpida. Nossas janelas davam para o canal e só tinha uma rua no meio. Do nosso jeito jeito achamos uma maneira de aproveitar nosso último dia.
No meio da tarde o tempo fechou, esfriou e começou a chuviscar. 
Passamos até a hora de dormir tentando contato com a TAM de todas as maneiras possíveis para adiantar nossa passagem que seria no dia 27/3 (de Lisboa pra São Paulo) para qualquer dia depois do dia 16/3. Após muitas e infrutíferas horas nos telefones não conseguimos nada.
Pelo menos a Rafaela chegou ao Brasil e em Porto Alegre.
Fui dormir mais aliviada por saber que ela estaria em casa, sã e salva.
Dia 16 de março - Amanheceu chovendo demais. Ajeitamos nossas coisas, tomamos café e corremos até o carro.
A viagem até Madrid teria 411 km. Transcorreu perfeitamente bem. Não tinha 
ninguém nas estradas, muito pouco movimento. 
Atravessamos inclusive uma nevasca e temperaturas abixo de zero. 
Ao chegarmos em Barajas, abastecemos o carro pra entregar e devolvemos na AVIS.
Registros:

















terça-feira, 7 de julho de 2020

Getaria e Gastelgatxe

No dia 13 de março, saímos de San Sebastian e resolvemos percorrer a costa até Plentzia. A promessa de vistas incríveis valeu o esforço de pegar estradas secundárias (como a GI-20, a GI-31, as tortuosas N-634 e BI-2237) e aumentar o trajeto. 
Foi deslumbrante. Valeu mesmo!
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Primeiro percorremos os 30 km que nos separavam de Getaria. Ao chegarmos, estacionamos num local livre e fomos a pé para a cidade.Getaria (em espanhol) ou Guetaria (em euskera) remonta aos romanos, existindo comprovação de habitantes em meados do século II A.C. A data de fundação da vila foi efetivada em 1180 e junto com San Sebastian é uma das mais antigas do país basco (comunidade autônoma da Espanha).
Nasceram em Getaria o navegador Elcano (aquele que completou a primeira circunavegação na terra, depois que Magalhaes morreu) e o ilustre fashionista Cristobal Balenciaga. Tem estátuas e homenagens a Elcano (inclusive o melhor restaurante) e o museu Balenciaga com as peças do artista de moda.É uma cidade pequena, limpa, com um centro gótico muito interessante. Visitamos a Igreja de San Salvador e passeamos por ali. A igreja é interessante porque tem um desnível muito grande, dizem que em época de tormentas e ressaca é para escoar a água que entra. Não sei se procede.
Compramos um lanche e almoçamos ao ar livre, olhando o mar e curtindo aquele visual!
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A segunda parte da viagem foi mais interessante ainda. Além das estradas tortuosas (apesar de serem ótimas) as paisagens eram maravilhosas. Passamos por várias comunidades costeiras, todas lindas, perfeitas para passar uma temporada sossegada longe de tudo.
Chegamos em Gaztelgatxe no meio da tarde. Havia poucos visitantes e descemos até o último mirante. Um aviso: só faça isso se estiver em condições fisicas de retornar. São alguns quilômetros a pé lomba acima na volta.Então, Gaztelgatxe é uma ilhota que tem uma ermita em cima, datada de 1053, século XI. Ela é dedicada à degola de São João Batista😱, passou por muitos saques, ataques de corsários, guerras e permanece ali até hoje.
Ela também foi usada como cenário na sétima temporada de
Game Of Thrones: a Pedra do Dragão
O caminho para chegar lá na igrejinha é através de uma passarela de pedra e 241 degraus. Tem uma sineta que a pessoa toca quando chega para comemorar o esforço. Haja fôlego! Nós pensamos bem, melhor ficarmos com a vista deslumbrante mesmo, até porque já estava caindo a tarde.
O retorno foi penoso, porque tínhamos descido consideravelmente até o belvedere e tinha que subir tudo a pé de novo. Mas valeu a pena!
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Não sabíamos ainda, mas chegamos a Plêntzia 40 minutos depois de sair dali (27 km), no finalzinho da tarde deste mesmo dia 13 de março e esse seria nosso último paradouro na Espanha💔. 
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Algumas fotos:











terça-feira, 30 de junho de 2020

Pamplona

No dia 11 de março, após sairmos do hotel em Zaragoza, rumamos em sentido norte. O destino final era San Sebástian mas tínhamos que fazer uma parada para almoçarmos. Decidimos ir até Pamplona (capital de Navarra), para passear e almoçar. Dirigimos 177 km e levamos umas duas horas para chegar à cidade.
Obviamente que em tão pouco tempo não poderíamos ver muita coisa. Pamplona é linda, cheia de história e uma cidade que merece no mínimo uns três dias de visitação. 
Estacionamos nosso carro e caminhamos em direção aos Jardines de la Taconera. Fizemos a volta, entramos e conhecemos o forte e a Ciudadela de Pamplona. O dia estava super lindo e pudemos caminhar ao sol, observar a jardinagem e o carinho com que a cidade cuida de seu patrimônio.
Saindo dali nos dirigimos ao Casco Antiguo (cidade antiga) onde as ruas são bem estreitas, com muitas lojas e restaurantes. Porém, como a pandemia avançava, muita coisa já estava operando da porta pra rua e outras fechando as portas. 
Encontramos uma livraria que também servia almoço. Comemos ali.
Depois fomos em direção ao carro. Super de boa, passeando.
Ao chegarmos no carro uma amarga surpresa: uma multa por estacionamento indevido. A gente não tinha visto que tinha o dispositivo de registro logo ali perto. Só que pelo que estava escrito no papel da multa era passível de contestação. Procuramos o endereço do escritório e fomos até lá de carro.
O atendente foi super de boa porque viu que éramos estrangeiros. Nos ajudou a contestar a multa (sem a ajuda dele nunca conseguiriamos porque é bem chato). Ufa!
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Não deu para ver muito da cidade, mas o que vimos nos deixou uma sensação de "vamos voltar um dia?". Ela merece ser explorada porque tem muita coisa linda, eventos memoráveis e muita história. Aqui nesse link algumas de suas principais atrações.
Saímos do escritório de trânsito diretamente para San Sebastian, cerca de 100 km de estrada!
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Alguns cliques:

















quarta-feira, 24 de junho de 2020

Lerida (LLeida)

Saímos dia 9 de março de Andorra em direção à Zaragoza.
O trajeto foi mudando de paisagem enquanto nos afastávamos dos Pirineus em direção sul. 
No caminho fizemos uma parada em Lérida  (lleida em catalão).
Para nossa surpresa encontramos uma cidade bem grande, cheia de história, remontando dos anos 300 A.C. 
Essa cidade passou por várias fases: em 195 AC foi conquistada pelos romanos, depois pelos muçulmanos por volta do ano 700 DC. Voltou às mãos dos cristãos por volta de 1100 AC. 
Em Lerida foi fundada a Estudi Generali (a Universidade mais antiga da coroa de Aragão) em 1297 que funcionou até 1717, quando a cidade estava em ruinas.  Ela foi muito explorada  e sofreu muito nos séculos posteriores, passando por guerras, saques, bombardeios. 
Hoje se reergue linda, ao lado do rio Segre, com inúmeros locais de visitação de todas as épocas que citei acima. 
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Nós estacionamos no centro, caminhamos por ali, almoçamos numa cafeteria e depois, a pé, fomos à cidade antiga visitar a La Seu Vella e o Castillo de la Suda.
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De cima da colina onde se localizam é possível ter uma visão panorâmica das dimensões dessa cidade. O clima estava agradável quando descemos, porém, lá em cima, muito vento gelado.
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Gostaria de ter a oportunidade de ficar mais tempo, explorar mais, mas tínhamos que seguir em direção à Zaragoza. 
Quero voltar!!!!
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Alguns registros: