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quarta-feira, 24 de outubro de 2018
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
O Desgaste da Tramela
Sugestão de título - Verônica Kappel
Autoria do texto - Marilia Bavaresco
Chegada a hora do encontro, depois da meia-noite, Dogo abriu o portão com o focinho, mas devido ao desgaste da tramela, assim que saiu, a portinhola ficou entreaberta e não trancou.
Tudo quase voltou ao normal. Porém, Dogo não estava em casa. A família estranhou, procurou na redondeza e nada do grandão aparecer. Achavam que alguém pudesse ter aberto o portão e deixado ele fugir de propósito. Não voltaram a dormir naquela noite... pelo menos até a hora que Dogo apareceu parecendo sorridente, e deitou na soleira da porta da frente.
Mas a alegria deu lugar à preocupação quando uns dois meses depois Miranda não apareceu e o vizinho, dono da poodle entrou na casa com cara de poucos amigos para conversar com o humano do grande cão.
Autoria do texto - Marilia Bavaresco
Dogo era um rotweiller. Como todos os cães do mundo que tinham um dono, ele vivia com uma família humana, comia boa ração, fazia suas necessidades no pátio e dormia numa casinha na frente da casa.
A família, assim como todos os humanos, nem imaginava que o cão, assim como todos os outros cães era capaz de se comunicar, de pensar e agir e só não dominava o mundo por não ter dedos opositores (igualzinho aos felinos).
Dogo estava apaixonado pela poodle gigante Miranda que morava com sua família humana na casa da frente. Parecia que ela também estava interessada então o chiuaua Pingo da casa do lado resolveu marcar um encontro entre os dois.
E seria naquela noite, assim que os humanos fossem dormir.
Miranda tinha seus métodos para escapulir de casa, mas Dogo era um cão de guarda. Estava num dilema existencial muito grande porque tinha que zelar pelos seus humanos. Se ele saísse da casa pode ser que algum malfeitor se aproveitasse. Dogo não era mau, mas metia medo pelo tamanho e compleição física.
Pingo se comprometeu em ficar de guarda enquanto eles estivessem no encontro então Dogo relaxou.
Chegada a hora do encontro, depois da meia-noite, Dogo abriu o portão com o focinho, mas devido ao desgaste da tramela, assim que saiu, a portinhola ficou entreaberta e não trancou.
Um bandido que estava de tocaia nas redondezas esperando para por em prática suas maldades, viu que o cão grandalhão aparentemente fugira de casa e o portão estava aberto. Era a chance de depenar mais humanos descuidados.
Ele foi se aproximando do pátio, passou pelo portão, que também não fechou. Quando ele se preparava para subir pela grade que ia para o segundo andar, o pequeno chiuaua começou a latir esganiçadamente como todo o chiuaua faz. Uma luz acendeu. Mais outra luz. O ladrão pulou no chão e quebrou o pé. Pingo latia enquanto os humanos chamavam a polícia. O pequeno chiuaua correu para sua casa.
Tudo quase voltou ao normal. Porém, Dogo não estava em casa. A família estranhou, procurou na redondeza e nada do grandão aparecer. Achavam que alguém pudesse ter aberto o portão e deixado ele fugir de propósito. Não voltaram a dormir naquela noite... pelo menos até a hora que Dogo apareceu parecendo sorridente, e deitou na soleira da porta da frente.
No dia seguinte Pingo contou o que tinha acontecido e o grande cão se sentiu humilhado e triste. Justo quando a família precisou, ele não estava ali.
Nesta mesma noite outro bandido que chegou na vizinhança, desconhecendo Dogo, viu que tramela do portão não fechava. Resolveu entrar. Quando tentava subir a mesma grade que outro malfeitor tentou subir, foi abocanhado pelo bocão de Dogo que só soltou o bandido com a chegada da polícia.
Dogo se sentia satisfeito. Cumprira seu papel!
A partir dali, todas as noites Miranda vinha para o pátio dele, pela facilidade de entrar pelo portão. Santa tramela!!!
A partir dali, todas as noites Miranda vinha para o pátio dele, pela facilidade de entrar pelo portão. Santa tramela!!!
E os dias passavam felizes.
Mas a alegria deu lugar à preocupação quando uns dois meses depois Miranda não apareceu e o vizinho, dono da poodle entrou na casa com cara de poucos amigos para conversar com o humano do grande cão.
Quando ele foi embora, seu dono correu para ele e Dogo pensou que ia ser castigado. Ao invés disso ganhou um osso gigante e muito carinho.
Ele não entendia direito o que humanos falavam mas pareciam felizes e diziam algo assim:
- Parabéns Dogo, você é papai de dois meninos e duas meninas!!!!!!
terça-feira, 26 de julho de 2016
Um Cão Nada Convencional
Sugestão de título - Mônica Gonçalves
Autoria do texto - Marilia Bavaresco
Autoria do texto - Marilia Bavaresco
O dia estava quente e abafado, no horizonte apareciam nuvens negras indicando o temporal de logo mais.
Balú entrou correndo em casa e foi direto para baixo da cama. Toda vez que estava para chover era assim: o medo da água era tanto que ele só queria se esconder. Os raios, barulhos, foguetes e ruídos fortes não o afetavam, mas o terror da água em compensação paralisava o pequeno cãozinho. O simples gotejar de uma torneira o deixava completamente imobilizado imaginando um tsunami que o engoliria.
A família de Balú não sabia a origem de tanto medo, mas tentava acabar com esse terror tentando dar banho morno, colocando ele perto da água, mas não adiantava. Toda vez era uma choradeira sem fim. Balú desmaiava, uivava, arranhava, e com pena do animalzinho, desistiam da empreitada.
Olhando pela janela naquele dia, era assustador o que se via. As nuvens se aproximavam rapidamente, a chuva fustigava os vidros das janelas.
Dona Marilu estava sozinha e pela vidraça avistou algumas roupas no varal. Saiu porta afora para recolher e afoita como estava, acabou tropeçando num tronco trazido pelo vento. Com a batida da cabeça ela ficou desacordada, sendo "surrada" pela chuva forte.
Ouvindo o grito de Dona Marilu, Balú correu até a porta dos fundos que estava aberta. Ao ver a chuva seu coraçãozinho bateu acelerado. Conseguia enxergar os pés de sua humana no chão. Isso o impulsionou a caminhar mais alguns passos, mesmo absolutamente aterrorizado com a água que caía do céu.
Seu instinto dizia que algo muito ruim poderia acontecer se não ajudasse Dona Marilu. Embaixo da aba da casa ele avistou uma lona que era usada para cobrir a horta nas noites frias. Olhou para a humana, respirou fundo, o coração falou mais alto e encarou a água da chuva. Puxou a lona com todas as suas forças e cobriu Marilu. Foi a sorte dela pois em seguida começou a cair granizo e a lona, mal ou bem, conseguiu protegê-la das pedradas.
Neste ponto, Balú todo molhado estava estático e voltou a sentir o mesmo pavor que sempre sentiu. Levou muitas pedradas de gelo, ficou totalmente encharcado e quando fechou os olhos prestes a desmaiar sentiu que alguém o erguia do chão. Seu Nestor tinha chegado com o filho mais velho. Enquanto o filho erguia a mãe, Balú era recolhido pelo seu humano.
Horas depois, os dois dentro de casa, Dona Marilu logo havia recobrado a consciência e Balú, enroladinho no seu cobertor, seco e acomodado no colo protetor de Seu Nestor. O cão estava se sentindo muito confiante e amado como jamais havia se sentido. A humana olhava agradecida o pequeno chiuaua valente.
O pai e o filho humanos tinham visto a cena de Balú cobrindo Dona Marilu para protegê-la e entenderam que ele superou o seu pânico de água para ajudá-la, portanto, sendo muito mais corajoso que qualquer grande rotweiller ou dog alemão.
Depois desse dia Balú ainda chorava para tomar banho, mas quando chovia ele sentava na frente da porta que dava para o pátio, aguardando em caso de alguém precisar do seu socorro.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Jimi
O Jimi foi um "presente" para os meus pais, levado por meu irmão de Porto Alegre para Nova Prata quando tinha pouco mais de dois meses. Eles tinham um outro Jimi, dálmata, que foi cruelmente assassinado por um vizinho que jogou veneno no pátio e que hoje habita, com certeza, as profundezas do inferno.
O segundo Jimi, esse da foto, era uma bolinha minúscula de pêlos. Acredito que tenha sido comprado no Brique da Redenção, de um criador fundo de quintal. Passou alguns dias comigo antes de ir definitivamente para a casa de meus pais e eu dei o primeiro banho nele no meio da antiga sala, sobre o carpete, numa bacia com água morna. Era tanta pulga que as remanescentes ainda devem estar por lá!
Ele teve problemas de saúde logo de cara e fiquei cuidando dele enquanto meus pais viajavam. Diagnóstico: parvovirose. Eu estava desempregada na época e passei o verão em Nova Prata. Ele estava prestes a morrer mas a força do bichinho era tanta que ele arribou e resistiu 13 anos e meio.
No dia de sua morte, foi como um ente da família que houvesse partido.
Ainda sentimos saudades, muito embora ele não tivesse uma personalidade muito dócil. Era possessivo, mordia de vez em quando, mas era o parceiro inseparável dos meus pais.
♥♥♥ Te amaremos para sempre, Jimi! ♥♥♥
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